Como fornecer dignidade ao paciente por meio das Diretivas Antecipadas de Vontade

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Gente boa, hoje o assunto é sério.

Vim falar um pouco sobre as Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV), um documento valioso que deve ser conhecido não só por nós, profissionais de saúde, como todos os seres humanos vivos.

Mas para começar essa conversa, proponho uma reflexão: imagine que você está no fim da vida, muito doente, com um quadro irreversível e a equipe de cuidado proponha a temida intubação. Entretanto, você não está em condições de manifestar seu descontentamento devido a fragilidade da situação.

Como evitar que os tratamentos médicos ultrapassem os limites dos seus desejos de cuidado?

Por meio das Diretivas Antecipadas de Vontade (DAV).

Elas surgiram no final da década de 1960 nos Estados Unidos e desde o início da década de 1990 têm sido positivadas nos ordenamentos jurídicos de diversas nações.

Este é um documento formal que expressa os direitos e a autonomia do paciente. É um registro feito quando ele ainda está com sua autonomia preservada que ditará a respeito de decisões, cuidados e tratamentos no fim de vida quando há uma doença sem possibilidade de cura.

Ele deve ser redigido quando a pessoa ainda está ciente dos seus atos e deseja formalizar como deseja que seu tratamento médico seja feito. Também é possível nomear outra pessoa (um representante) para decidir quais os limites do tratamento quando não tiver mais capacidade (ou até inconsciente) de tomar as próprias decisões.

A equipe médica deve levar em consideração essas diretivas que sempre prevalecerão sobre qualquer outro parecer médico, inclusive sobre os desejos dos familiares, exceto se estiverem em desacordo com as normas do Código de Ética da Medicina.

AS DIRETIVAS ANTECIPADAS DE VONTADE GARANTEM A PRESERVAÇÃO DE DIREITOS, AUTONOMIA E DIGNIDADE DE PACIENTES.

Elas se baseiam nos princípios da dignidade humana, da autonomia privada e da proibição constitucional de tratamentos desumanos, estando previstos na Constituição Federal; bem como no artigo 15 do Código Civil: “Ninguém pode ser constrangido a submeter-se, com risco de vida, a tratamento médico ou a intervenção cirúrgica.”

Além disso, elas facilitam o trabalho da equipe de saúde, tornando-o mais fundamentado e ético, além de garantir o direito à vida e a morte digna dos pacientes.

Também é uma forma de trazer mais paz aos familiares e assegurar a dignidade e a humanização do cuidado.

14 Responses

  1. Meu marido sofreu uma parada cardiorrespiratória por 20 minutos. Os danos foram totais. Foram dias de sofrimento para a família para ele , que com certeza já gostaria de ter ido .Mas ele teve alta e fomos para casa com HomeCare ( a pior experiência da minha vida). Quando saímos do hospital pedi ao médico pra que ele fizesse um documento, onde não iria permitir quaisquer procedimentos, para salvá-lo de intercorrências, tipo Hemodialise , recuperação, intubação, não poderia permitir nada que viesse s prolongar(???)’sua existência vegetativa. Sofri muito porque tive a cobrança desta atitude de um dos enfermeiros, ele foi cruel, também não aplicava injeção para dor sem receita por escrito do médico , como assim ???? Hoje me pergunto como que aguentei essa figura mais horrível cuidando do meu amado . E ainda me culpando pelo que havia acontecido com ele . Hoje graças a vc já entendo que não existe culpa se vc não sabe ou se é mal orientado . Enfim , obrigada por vc dar tanto conhecimento e amor para nós

    1. Eliane, querida.
      Em primeiro lugar, agradecemos por ter partilhado algo tão íntimo conosco.
      Em segundo, sentimos muito por tudo que você passou.
      Um abraço carinhoso,
      equipe ACQA. ❤️

  2. Eu e meu marido já fizemos há anos, esse documento, que está devidamente registrado em cartório. Entregamos uma cópia a cada um de nossos filhos e à nossa médica.

  3. Dra Ana Claudia, no caso de pacientes terminais que começam a ter dificuldades para se alimentar, você é favor da sonda de alimentação? Mesmo que seja um maneira de prolongar uma vida sem qualidade nenhuma mais? Estou passando isso com meu pai (que tem CA de intestino metastático) e estamos angustiados com qualquer decisão (mesmo que ele já tenha tomado a dele consciente de não querer), mas me preocupa como tomar a medicação para dor nesses casos.

    1. Olá, Larissa. Aqui é da equipe da Ana.
      Sobre a situação do seu pai, ela deve ser avaliada com a equipe de cuidados e com as vontades dele. Se traz mais sofrimento para ele, talvez não seja o caminho ideal.
      Abram conversas sinceras com a equipe, elas são fundamentais!
      Um abraço,
      equipe ACQA. ❤️

  4. Excelente!
    Não quero ser submetida à tratamentos que prolonguem a vida artificialmente.
    Gostaria que se aprofunde mais sobre o assunto. Obrigada

    1. Oi, Jacinta! Obrigado por nos acompanhar.
      E parabéns pela sua sábia decisão.
      Você pode pesquisar mais sobre Testamento Vital (temos alguns artigos sobre o assunto aqui no site).
      Um abraço,
      equipe ACQA. ❤️

  5. Não quero ser submetida à tratamentos que prolonguem a vida artificialmente.
    Gostaria que se aprofunde mais sobre o assunto. Obrigada

  6. Boa noite,

    Sou residente de medicina intensiva de um hospital do trauma em Goiás, HUGOL. E estamos implantando cuidados paliativos nas utis (e começamos a construir um modelo de diretivas antecipadas. Temos duas paliativas para o hospital todo. Se pudesse e não fosse um abuso, você poderia compartilhar o seu modelo conosco? Seria de grande valia para nós.

    Tinha lido em seu livro, e comentava que sempre começa com uma parte do código de ética e tenho muito interesse em ver como seria abordado nas diretivas.

    Cordialmente.

  7. Boa noite. Achei muito interessante, como todo conteúdo apresentado pela Dra. Ana Cláudia. Gostaria de tirar uma dúvida: Eu posso fazer essa declaração, em qualquer momento da vida, mesmo para possibilidades desconhecidas?
    Grata pelas informações.

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