Sentinelas: um curso para todos que querem aprender a cuidar

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SEN.TI.NE.LA

Substantivo feminino do italiano sentinella

Pessoa que vigia ou vela por alguma coisa; guarda

Para iniciar essa conversa, trouxe uma das definições da palavra SENTINELA; e gostaria que você se atentasse a esta citação para que esse artigo faça sentido.

Há poucos dias, abrimos as inscrições para o “Sentinelas – Curso para formação de Guardiões de Fim da Vida”. Um curso voltado para todos que desejam se abrir para a profundidade da experiência que a morte e o morrer possibilitam – e não é preciso ser profissional de saúde para participar (mas todos são bem-vindos, tá?).

Gosto de explicar um pouco sobre como surgiu o Sentinelas (e porque eu tenho tanto apreço por ele). Tudo começou quando comecei a acompanhar o trabalho das doulas da morte (abaixo vou contar o que isso significa) e, me perguntava, inquieta (como sempre), porque a formação da doula muitas vezes parecia ser tão breve. É um trabalho lindo, rico, potente e poderoso, mas eu sentia que faltava algo.

Sentia que não parecia haver espaço para maiores profundidades, já que o curso mostrava aspectos apenas voltados para a morte do outro e raramente para o movimento de transformação que era necessário acontecer para que este trabalho pudesse fluir mais serenamente, mesmo que diante de condições mais adversas.

“A palavra Doula, que vem do grego e significa “mulher que ajuda a outra”, e que há muito consola as mulheres durante o parto ampliou-se. Agora é mais abrangente e engloba voluntários masculinos, femininos e funcionários certificados – estão ajudando cada vez mais pacientes idosos a realizarem o desejo de morrer em casa, e não em hospitais ou casas de repouso. Assim como um bebê recebe ajuda para nascer, enquanto Doulas podemos ajudar um ser humano na hora de sua morte.”

Por Mindy Helyea – Doula da Morte de Salt Lake City, no estado de Utah, nos Estados Unidos.

Com isso, comecei a pensar na necessidade deste conteúdo ser partilhado com todas as pessoas, não somente profissionais de saúde: isso poderia envolver cuidadores, familiares…enfim, seres humanos.

Entendi que havia um espaço necessário de devolução de direito do cuidado a uma vida que morre, de forma protegida e cuidada, que sabemos, raramente acontece nos hospitais. E que esse conhecimento não precisava ser somente direcionado a profissionais de saúde e nem apenas no final da vida de uma pessoa nos seus últimos tempos, mas também para a continuidade bondosa da vida dos que ficam depois da morte de alguém amado.

A pandemia do COVID-19 segue nos trazendo um bocado de reflexos e, um dos que eu mais acredito foi sobre a necessidade da aproximação das pessoas, da responsabilidade de sustentar a prática cotidiana do cuidado.

Não existe paz e nem beleza nas centenas de milhares de mortes desamparadas, mas ainda assim, a pandemia nos ensinou de um modo muito duro e direto que precisamos cuidar de nós e das pessoas em torno da gente.

Assim, resgatamos o cuidado não como um ato de saúde formal apenas realizado pelos profissionais de saúde, mas sim como um ato humano, um direito, um dever… e sinceramente, trabalho muito por isso e espero que um dia se torne um ato percebido como absolutamente necessário a uma vida com sentido por este planeta inteiro.

O Sentinelas representa esse resgate.

O Sentinelas sai do abstrato (da vontade de cuidar) para o SABER COMO CUIDAR.

Um cuidar responsável e ético, mesmo não sendo um profissional de saúde.

Traz um conhecimento de cuidado com o paciente que vai além das técnicas que permeiam os saberes da medicina.

Sentinelas é a validação da cultura do cuidado.

É um olhar para as relações humanas.

É sobre a POTÊNCIA DO CUIDADO que transforma e transcende.

E quando a gente abre espaço para que as pessoas resgatem essa potência, facilitamos a vida da pessoa que morre, da equipe de saúde que cuida e da família e amigos que amam e permanecem presentes.

Fortalecemos todas as relações de cuidado para viver dignamente o processo de finitude.

SER UM SENTINELA É SER UMA TESTEMUNHA ATIVA DO PROCESSO DE FIM DE VIDA com a premissa de que SEMPRE há algo a ser feito pelo paciente.

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São mais de 30 docentes poderosos e generosos, das mais diversas áreas do saber humano, que ministrarão aulas ao vivo durante estes próximos 7 meses.

Isso tudo muda a vida da gente. Para mim, será um prazer te conhecer e te acompanhar nessa travessia.

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“Longe, longe, ouço essa voz
Que o tempo não levará
Longe, longe, ouço essa voz
Que o tempo não vai levar”

Milton Nascimento

4 respostas

  1. Muito interessante vc escrever sobre cuidar de quem ficou vivo… nunca pensei em cuidados paliativos para quem vive após o falecimento de seu ente querido. Parabéns!!

  2. Eu acompanho a Dra Ana Cláudia há algum tempo, conheci pelos livros, e me apaixonei, li um dos livros em 1 dia, de tão fascinada que fiquei! Sou enfermeira e trabalho com idosos, então para mim é enriquecedor! Espero em um futuro próximo poder realizar esses cursos mais longos e completos e oferecer uma assistência cada dia melhor!

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