Bem Paraná: IA vai substituir médicos? Drauzio Varella explica o futuro da Medicina

E6 Imagens/Afya Divulgação

O futuro já chegou na medicina, mas a transformação tecnológica só acontecerá de fato quando estiver ao alcance de toda a população. A Inteligência artificial (IA) chegou e os médicos precisam utilizá-la da para ajudar e sem perder a humanização dos pacientes. Boa parte das discussões do Afya Summit 2026, realizado neste sábado, 29 de agosto, no Auditório Ibirapuera, em São Paulo também foi sobre voltar a atenção para aquilo que continua essencial no cuidado: a relação entre médicos e pacientes. O encontro contou com nomes de peso da medicina como Drauzio Varella, Daniel Kraft e Ana Claudia Quintana Arantes.

Em sua terceira edição, o evento teve como tema “Da revolução tecnológica à revolução humana” e reuniu médicos, pesquisadores, lideranças e especialistas nacionais e internacionais. Durante o dia, a programação percorreu temas como tecnologias exponenciais, aplicações práticas da inteligência artificial, interoperabilidade, liderança, ética, comunicação médica e humanização.

Drauzio Varella, médico e escritor, abordou a aceleração tecnológica a partir da necessidade de reflexão ética. Sua fala foi carregada de experiências vivenciadas por todo o Brasil, mostrando como a Medicina tem evoluído ao longo dos anos e como o “básico” é sempre o centro: o olhar e a atenção ao paciente.

O avanço tecnológico, portanto, não eliminou a necessidade de humanização. Ao contrário: colocou-a ainda mais em evidência . Drauzio Varella disse que não dá para negar a chegada da tecnologia, como a IA, e que ela pode ajudar muito os médicos. ” A tecnologia está aí para ser usada. Toda hora vemos um artigo dizendo que a inteligência artificial é perigosa. Quando surgiu o rádio foi assim, a TV também. É claro que tudo que é novo assusta. Mas nós temos que utilizar as ferramentas para melhorarmos”, disse Drauzio.

“Com a inteligência artificial, ou IA, eu coloco todos os detalhes do caso do meu paciente e ela me dá todas as evidências baseadas em revistas médicas de primeira linha. Claro que a inteligência artificial não pode receitar remédios e nós médicos vamos decidir o tratamento”, afirmou ele. “A função do médico sempre vai existir e a tecnologia vem ajudar”.

Drauzio fez questão de ressaltar as capacidades que os médicos devem sempre priorizar: pensamento crítico, comunicação, ética, empatia, escuta e capacidade de compreender o paciente para além dos dados clínicos.

Tecnologia avançou e o médico permanece no centro da decisão

Daniel Kraft, médico, cientista e especialista em inovação em saúde, abriu a programação científica do Summit Ayfa com uma discussão sobre as tecnologias que já estavam redefinindo a saúde.

Na sequência, Guilherme Rodrigues, oftalmologista e docente da Afya Educação Médica, Dayanna Quintanilha, médica e gerente de pesquisa da Afya, e Eduardo Lapa, médico e diretor médico da Afya, abordaram aplicações reais da inteligência artificial na assistência, além de seus riscos, limites e do uso responsável dessas ferramentas.

Mais do que perguntar o que a inteligência artificial consegue fazer, as discussões do Summit focaram em outra questão: como utilizar essas possibilidades sem transferir à tecnologia responsabilidades que continuam pertencendo ao profissional médico?

Dados e inteligência artificial podem devolver tempo ao cuidado

A transformação digital apareceu ainda sob outra perspectiva. Jacson Barros, da Amazon Web Services, discutiu interoperabilidade, inteligência analítica e saúde digital, enquanto o painel liderado por Gustavo Meirelles, Vice-presidente médico, abordou as competências necessárias aos profissionais que conduzirão essas mudanças.

Nesse contexto, a tecnologia não apareceu apenas como uma ferramenta para ampliar capacidade diagnóstica ou processar grandes volumes de informação. Ela também foi apresentada como uma possibilidade de reduzir processos operacionais e apoiar decisões, abrindo mais espaço para aquilo que depende diretamente do médico: interpretar contextos, conversar, exercer pensamento crítico e cuidar.

Quanto mais tecnológica a Medicina, mais a humanização deve ser potencializada

A transição da revolução tecnológica para a revolução humana tornou-se especialmente evidente na segunda metade da programação.

Brian Solis, futurista digital, levou ao encontro a provocação sobre o que se torna essencial em um cenário cada vez mais tecnológico.

Logo depois, Rafael Kiso, da mLabs, e Isabela Dupin, da Afya, apresentam “Comunicação e posicionamento médico na era digital: como construir presença, autoridade e reputação no ambiente digital”.

Humanização encerrou a jornada do Afya Summit

Esse percurso encontrou seu ponto culminante na participação da médica e escritora Ana Claudia Quintana Arantes, médica e escritora, responsável pela palestra “Existe medicina sem humanização? A mais antiga e a mais negligenciada das tecnologias clínicas”.

O encerramento ajudou a sintetizar a proposta construída durante o dia. Se inteligência artificial, interoperabilidade e análise de dados ampliaram as possibilidades da Medicina, continuaram existindo dimensões do cuidado que não puderam ser reduzidas a uma resposta automatizada.

Fonte: Bem Paraná

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